quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Ditadura da Felicidade

O que é ser feliz?
É estar bem fisicamente, espiritualmente, financeiramente, sentimentalmente?
É ter grandes conquistas, superar desafios, ser independente?
Com muita frequência nos deparamos com frases do tipo “Quero ser feliz” ou “Buscando a felicidade”...



Partindo do pressuposto que o homem é um ser insatisfeito por natureza, de que vale ir atrás de algo que, com certeza, não será absolutamente satisfatório?
Alguém de fato considera-se ou conhece alguém feliz em toda sua essência?
Por que passar uma vida buscando algo quem nem ao menos se sabe da existência?
A felicidade não é um estado permanente, ela é um misto de realizações e bons momentos que temos ao longo do caminho.
É absurdamente insana essa busca frenética pelo estado permanente de felicidade.
Esse é um caminho tortuoso com inúmeras possibilidades de frustrações.
Porque essa obrigação de buscar a felicidade?
Podemos não querer isso, conviver e viver bem com o fato de que essa tal felicidade não existe.
Isto não é pessimismo nem tampouco conformismo, é apenas realismo. É dizer não para as ilusões que fomos ensinados a alimentar diariamente e conseguir viver como achar melhor,  sem nenhuma busca incessante por algo imaginário que pouco se sabe.
Esta palavra, sem uma definição plausível, está presente a cada minuto nos mostrando a nossa provável incompetência  em atingir o ápice da plenitude humana.
Desista disso!
Pense em viver bem apenas.


Tenha bons amigos.
Seja verdadeiro.
Viva de uma forma onde se divertiria e se orgulharia de ler sua biografia.
Aceite a ideia de apenas “sentir-se” feliz, as vezes ou poucas vezes.
Respeite seus limites, viva o momento e não tripudie em qualquer sentimento que esteja dentro de você.
Desista desta ditadura da felicidade plena.
Desista de ser feliz!

Apenas desista.

sábado, 23 de novembro de 2013

Amor de Pablo Neruda

“ Si nada nos salva de la muerte, al menos que el amor nos salve de la vida.”



Esta frase de Pablo Neruda remete a reflexão da série de conflitos que existem dentro de cada um de nós.


Por qual motivo alguém deveria ser salvo da vida?A caixa de frustrações que a vida nos presenteia diariamente já não seria motivo o bastante?Mas a frustração é resultado de um processo, repetitivo até, de desejos, de lutas (algumas conquistas) e expectativas, mas que faz deste processo tão prazeroso quanto assoprar um dente-de-leão no final de uma tarde.


Esse Amor, lírico, puro, transcendental e ainda desconhecido tem mesmo o poder de nos tirar deste estado vegetativo e ao mesmo tempo confortável que ocupamos?


Esse amor de Pablo Neruda, que nos salva da vida, é um objetivo complexo onde muitos passam sua estadia aqui apenas em busca dele, outros o encontram mas são suficientemente donos de si e acabam por ignorá-lo.


Não enxergo o Amor de Pablo no mundo, não o encontro nestas risadas vazias, gestos forçadamente gentis e um “altruísmo” inegavelmente superficial. 


Vejo esse Amor distante, longe demais para um simples humano se aproximar.


Ele teria qualidades, muitas. Algumas até conhecidas, ele seria  intenso, forte e ao mesmo tempo leve e suave, algo surreal que realmente tenha o poder de nos tirar deste mundo, que faça levitar a alma, vibrar as energias, tremer as pernas, arrepiar cada centímetro de pele, silenciar a voz, dilatar pupilas e aquecer o coração.


Vejo esse Amor de Pablo algo humanamente impossível de ser alcançado.Mas por quê?Porque esse amor não é imediatista nem tampouco o encontramos em uma loja de conveniências, embora possa ser uma extrema conveniência ter o prazer de sentir algo assim. Seria esse Amor uma dádiva, um milagre talvez? Seria para poucos escolhidos, com a alma inalcançavelmente evoluída, de presente Deus daria um Amor, o Amor de Pablo.


Acredito que um Amor assim realmente não só tem o poder de salvar deste mundo, como também de fazer existir um mundo novo.


Um mundo bom.Um mundo de onde nunca precisaríamos ser salvos.Um mundo de Amor.O Amor de  Pablo...