quinta-feira, 14 de junho de 2018

Uma carta nem tão de amor



Querido, passaram-se anos desde o primeiro encontro, ora me pergunto se tudo isso foi real ou apenas fruto da minha imaginação.

Passaram-se anos de comparações e segredos, de afastamentos repentinos de despedaçar o emocional de qualquer um, passaram-se anos para que superasse algo que nem sei se, de fato, existiu.

Não foi superado, ambos sabemos que não, entre memórias, lençóis e falas, misturam-se rostos, dizeres e atitudes, que não, nunca se conversaram.

As memórias se borram,  e a incerteza de que isso existe ou existiu torna-se mais e mais presente.

Passaram-se anos desejando que existisse por mágica uma coragem que certamente nunca virá, de tornar real algo que nem sei se por um único dia foi. O que certamente nunca vai acontecer. Porque o que existe está apenas na memória, que vai sendo deteriorizada com os não dizeres, não fazeres, não sentir talvez?

Querido, por longos dias você foi o meu tormento, a minha afiliação e objeto de um desejo incontrolável, porém por poucos dias, na verdade por poucas horas, senti você meu, e essa equação não bate, não faz mais sentido.
Não mais para mim.

Passaram-se anos de uma projeção sua referente a mim que não é fiel, você tem o direito de se proteger como achar melhor, e não está em meu alcance e nem no meu  querer que você faça a questão de me conhecer melhor, na verdade, de me conhecer.

Ahhh querido, tudo acaba, até mesmo o que nunca começou, quiçá existiu... porque não tenho certeza dessa estória, não há como ter certeza de nada que envolva estes anos, que nos envolva, além de palavras soltas ao vento (mas com o cuidado de que ninguém as ouvisse) e pelo vento mesmo se perdeu...

Querido, eu te amei. Ou amei a idealização que fiz de ti.
Amei Como nunca, certamente, amei alguém real.
Sei que sou grandinha para ter amigos e amores imaginários, pois certamente é isso que vivi estes anos.

Hora de voltar à realidade, amar de verdade, sentir e ter a certeza de que tudo, tudo é e pode ser real.

Ahhhh meu querido, sentirei sua falta, mas posso recorrer ao meu imaginário e te encontrar por lá, pelo menos até a abstinência passar.

Sentirei sua falta, mas a falta de viver de verdade,algo real, é o que necessito.



Com amor,

Também Sua projeção.

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Sobre depressão e transtornos do pânico e ansiedade.



A doença depressão (sim é uma doença) vem sido muito comentada recentemente. E não por modismo e sim porque vem se quebrando o Tabu referente a transtornos psicológicos.

O maior sinal de força de quem sofre desta doença é a busca de ajuda e reconhecer que algo não está bem.

O depressivo trabalha, sorri, tem vida social, e tira forças, sabe lá Deus de onde, para cumprir seus diversos papéis na sociedade. Afinal, existem obrigações a serem cumpridas que exige um esforço gigante para que o seja feito.

Ela vem aos poucos, numa ansiedade exacerbada.

Sabe quando você, criança, quebra o vaso preferido da sua mãe, e ela está prestes a chegar e descobrir o que aconteceu. Você que já foi uma criança sabe o peso dessa sensação, mas ao contrário do relatado acima, essa sensação se instala, te consome e você não quebrou nenhum vaso.

Com isso vem a sensação continua se incapacidade pelo medo de algo dar errado, isso não é pessimismo, o ansioso se antecipa na frustração.

Existem sensações físicas, dores no peito, falta de ar, formigamento e paralização de alguma parte do corpo. Isso é a resposta do corpo de que está no limite.
Não sei como é morrer, pois ainda estou aqui, mas é a sensação da morte.

Esse medo cresce e ele doi, coisas do tipo, levantar e escovar os dentes torna insuportavelmente difícil, porque não existe força, o corpo dói e não há tramal que o faça parar de doer.

O buraco na alma vai se tornando cada vez maior, é um grande dragão preto que se alimenta de sua energia física é vital sem que você permita.

Quando menos percebemos esse buraco virou um câncer, um maldito câncer na alma. Que não existe rádio nem quimio que o trate. Não há cirurgia para sua remoção. A dor é tão intensa que você faria qualquer coisa, QUALQUER COISA para se livrar daquilo.

Você passa a se sentir um peso na vida de quem os rodeiam, incapaz de amar e se sentir amado, aquele peso de porta furado que só presta para sujar de areia onde passa, mas que ninguém tem coragem de jogar fora.

É muito Comum que sofre desta doença ouvir: “mas você é jovem, bonito” “mas você tem uma família linda” “ahhh isso é falta de Deus”.

Por favor, JAMAIS diga coisas do tipo para alguém nestas condições, isso as deixam piores, e não merecedoras do que possui.

Não há fórmula de como (sendo parente ou amigo) ajudar, mas se essa é sua intenção, apenas ouça, o abrace e diga que não está só.

Só entende essa dor imensa quem sente, e só tem a ideia do que é quem a trata, portanto, não fale sobre algo que desconhece. Isso já é de grande ajuda.

Ela tem cura, um processo moroso que exige muita MUITA força, muito trabalho e paciência.

São 13 anos alimentando esse dragão preto, expulsando-o diariamente, e pela primeira vez me sinto confortável de dizer para você que também sofre: VOCÊ NÃO ESTÁ SÓ, e nessa batalha VOCÊ PODE SER O VENCEDOR.

Um dia de cada vez, dias cinzas virão, mas os dias de sol(mesmo sendo poucos, ou nenhum) também virão.

Isto tudo é apenas um ponto e vírgula, busque ajuda e termine sua frase e consequentemente seu livro.

Paz, luz e amor para todos.