Percebo que neste mundo, a sinceridade tem cada vez menos
espaço.
Fiz dela uma meta para minha vida, embora não tenha sido bem
aceita.
Incompreendida muitas vezes por falar exatamente o que
sente.
E preocupada com a reação e sentimentos alheios.
O cinismo faz parte do cotidiano, e de certa forma, o
considero uma qualidade.
Uma qualidade que ainda não adquiri.
E que, de verdade, não sei se um dia terei.
Percebo que estou atrasada, que perco tempo, tempo precioso
que não volta, me doando demais ao mudo, e menos para mim mesma.
Hoje acordei querendo ser alguém melhor para mim.
Acordei querendo me amar mais.
Me beijar, me abraçar , me sentir e me apaixonar mais por
mim.
Acordei querendo ser uma pessoa melhor pro meu eu.
Eu estava afastada de mim, e passei tanto tempo assim, que
mal me reconheço hoje.
Tinha tanta convicção de estar clara e definida para o
mundo, que deixei a minha própria impressão
ficar defasada, apagada, esquecida e borrada.
Passei-me para trás, na verdade, passei por cima de mim, e
não sei quanto tempo se passou desde então.
Ignorei, idealizei e concretizei coisas e sentimentos que
não eram o que eu esperava e queria de mim.
Priorizei não prioridades.
Dei importância a coisas não importantes.
Quis entender coisas que não são entendíveis.
E valorizei coisas sem valor algum.
Sem valor algum pra mim...
Eu me esqueci da única pessoa capaz de mudar minha vida, da
coisa mais importante e essencial, a única pessoa que tem o poder de me trazer felicidade,
eu mesma.
Devo desculpas e peço perdão a mim.
Sofro com o fato de talvez não conseguir me desculpar.
Fui tola, vazia, superficial e me arrependo.
Como promessa feita com um rosário, eu digo:
Nunca mais me afastarei de mim.
Embora eu seja uma incógnita até para mim, jamais me
abandonarei.
Mesmo que tenha a certeza que jamais alguém irá me
compreender.
Estarei comigo.
Nunca saberão quem eu sou, o que penso e o que sinto. E isso já não me importa.
Porque sei da sinceridade que tive com o mundo e que esqueci
de ter comigo mesma.
Não permitirei esquecer-me outra vez.
Permito apenas que me esqueçam.
E peço para que o façam.
Porque permanecerei comigo.
E isso me basta.



