segunda-feira, 27 de abril de 2026

Respostas


 O modo como as pessoas se relacionam é curioso.

Sendo uma espectadora nata e também participante desse reality da vida, vejo o quão sempre é arriscado ser quem se é.

Se permitir sentir é fraqueza.

Demonstrar afeto é emocionado demais.

Terminar algo que nunca começou para evitar sofrimento?

Usar de táticas e joguinhos para "despertar mais interesse" são os hobbies preferidos de quase todos.

Para que serve esse teatro?

Isso não faz sentido.

Isso é um grande problema quando para você tudo, absolutamente tudo deve fazer sentido.

Aquela amizade repentina dentro de uma balada, que parecia como amigos de infância.

E, de fato, foram. Mas apenas naquela noite.

Aquele abraço deliciosamente demorado, acabou e não terá outro.

Aquele beijo que encaixa de primeira, que dá frio na barriga, nunca saberemos quando será o último.

Relações líquidas, Ego rochoso.

Buscar entender te faz parecer bobo.

Você não entende como "a banda toca".

É como se você estivesse em um baile onde todos estão dançando valsa e você tentando acompanhar com o samba no pé.

Todos com sua compostura, eretos, sincronizados, absurdamente sincronizados numa valsa ao qual você se atrapalha até em qual é seu pé direito e o esquerdo.

O sorriso arquitetado para não ser/parecer alegre demais, porém para demonstrar a pífia felicidade brevemente momentânea.

Gosto de pleonasmo nestas comparações.

É tudo tão igualmente igual, os padrões estão presentes em todos os lugares.

E você é uma andorinha tentando seguir as gaivotas. 

Não há como.

Não existe explicação.

As coisas são como são, sempre ouvi.

E em grande parte das situações nesta vida, de forma silenciosamente estrondosa, o silêncio é a própria resposta.


domingo, 2 de março de 2025

O que sobra após sobrar? (REF Poema 23)

 

Preciso lembrar e relembrar desta noite. Madrugada, manhã, já nem sei...

Onde me encontro com o amor em meus braços amamentado.

Estômago e coração sangrando. 

Literalmente e figurativamente.

Algo em comum sobressai destes opostos.

O gosto amargo e indigesto

Da dor que criou um abcesso.

Sendo assim, literalmente não tenho mais estômago para insistir no incerto. 

Sabendo como sou, é inconcebível ser metade.

Entregar apenas uma parte. 

Está virando um poema essa tristeza que me invade.

Ou é tudo ou é nada. 

Sim eu sei, minha maneira é equivocada.

Dito isso, vejo o vil sentimento que me abala.

Me olho, não me vejo mas me percebo 

A sempre tola que nunca será esperta.

Errada sim, mas também um pouco certa.

Nesse tudo que sinto, de nada valeu, não vale e não valerá nunca 

A pressão está alta e agora dói a nuca.

Já não sou menina faz um bom tempo.

Dores emocionais e físicas se misturam de todo jeito.

Recordarei desta noite como a do poema 23.

Antes eram dois, mas Deus quis que fossem três.

Hoje fiz piadas desastrosas e sem graça.

Para rir deste inferno que já me sinto até em casa. 

Inferno este que eu mesma criei, me enfiei e me entreguei.

Mas neste tudo, ao me entregar, foi aí que eu pequei.

Já calejada, quis tentar uma última vez.

Acreditei que poderia ser SIM  mas sempre foi um TALVEZ.

Não me caibo, não queria, não deu certo 

e eu já sabia.

Resta-me apenas tentar juntar os meus pedaços me retirar.


O que sobra após sobrar?

terça-feira, 4 de fevereiro de 2025

Perdida eu me encontro


 Eu sei que sumi.

Desapareci.

Mas eu também me perdi de mim.

Era impossível me encontrar, saber o que gosto de ouvir, falar...

Me perdi de mim

Tentando encontrar algum gosto, gesto, esboço.

Está difícil me enxergar

Saber se aceito, se nego ou me desfaço

Como um três de espadas perdido em meio ao baralho

Não tem sido possível me auto encarar

Estes dias, meses e anos nem me dei conta se o vi passar

Perdida em momentos, em projeções sem nada a esperar.

Rezando para que sorte, por pelo menos uma vez, venha me encontrar.

Um barco sem velas, sem remo

Em mar aberto apenas no devaneio

Deixando o presente e o destino por escolha do vento.

Perdida me encontro

Todos os (des)encontros que perdida permanecia.

Afagos afetos sonhos poesia 

Perdido está dentro de mim

Desaparecido está o que me faz sorrir.

E sim, eu sumi.

Desapareci até do reflexo do espelho

O que me excitava hoje causa desespero

Não sei quem era, o que sou nem se serei novamente

Aquela alma leve, dançante e sorridente

Não sei onde me encontrar

Não imagino onde eu possa estar

Perdida eu me encontro

Querendo por alguns momentos ser outro

Ser um pássaro ou talvez apenas uma brisa vespertina

Sei que posso talvez estar presa em algum tipo de rotina

O que me consola é o silêncio da minha presença.

E o fato de que para poucos eu ainda esteja

Aqui, ali e acolá

Onde mesmo eu deveria estar?

Certamente em algum tipo de recordação irrelevante

Nada que tenha sido indispensável nem ao menos um instante.

Eu sumi.

Desapareci

De todos

Da vida

E de mim.

segunda-feira, 17 de junho de 2024

Amor! (?)

 

O amor vem do cuidado.

Da luta contínua de transformar a nós mesmos.

Do abrir mão de determinadas coisas para ser melhor, doar melhor.

O amor nada tem a ver com os romances cinematográficos. Nem de cobrança.

É a doação da sua melhor versão em prol de algo e/ou alguém.

O amor não é prisão.

Nem ardência de paixão.

Certas coisas tem validade, o amor não.

O amor é respeitar e se respeitar também. 

É ver as coisas por outro prisma, mesmo o copo estando vazio, é tentar depositar algo dentro dele.

É construção.

É compaixão.

Uma doação genuína, onde ganhamos mais do que oferecemos.

Não existe dois caminhos.

O amor é caminho único de redenção e evolução contínua. 

Tem que ter coragem.

Exige força de vontade.

Mas nem todos estão dispostos, colocam a culpa na "falta de preparo".

Infeliz daquele que pensa que o amor é mar de rosas, mas mais infeliz será aquele que não se permite e não se esforça.

A segurança de um amor tranquilo, vem da inquietude de desmontar o ego.

E repito, infeliz será aquele que passar por essa vida sem saber o que é amor, de certo.

terça-feira, 17 de outubro de 2023

Recuso


Me recuso a pensar que nada sente.
Me recuso a imaginar que você consegue seguir, mesmo que sinta que te falta algo.

Você até pode negar e aceitar como as coisas são.
Mas eu me recuso!
Porque imagino o que poderia ter sido.
Imagino até o que pode vir a ser.

Para que mais um pensamento que vibra, me chama, me grita até chegar em mim?

Não, não vivi aquilo sozinha.
Não sou a única que sinda sente.
Mas posso ser a única que sente muito.
Sinto muito pela sua covardia.

Esteve tudo na sua frente, o seu querer, o seu amor, quem realmente faziam seus olhos brilharem.
Estava ali, na sua frente o seu primeiro pensamento do dia e o último da noite.
Se isso não é amor, então eu creio que não sei o ele é.

Você me deixou ir.
Partir.
Mesmo sinalizando que seria para sempre...
Ora, sabemos que nada é para sempre, senão não estaria aqui, sem conseguir dormir pensando em cada conversa, cada toque, cada beijo, cheiro e sabores.

Procurei e tentei seguir. 
Como tentei!
Sigo tentantando, aliás...
Eu estava ali.
Na sua frente.
E você me deixou partir.
E nisso acabou por ME partir também.
Já não há mais feridas abertas.
Porém há cicatrizes.

Uma fuga?
Um personagem?
Um mundo paralelo?
Não!
Foi real!
Quase posso sentir sua respiração sobre mim.

Não é justo.

Sei que fizemos escolhas, mas repito, nada é para sempre.
O que dura para sempre é o inexplicável, o que não tem como ser nomeado, o quase que divino.

E eu... Eu estava ali!
De corpo, mente, alma...
Estava ali, e ninguém disse tchau.

Não dissemos.

Não sei se voltarei a sentir aqueles tornados, ciclones, terremotos e tsunamis.
Aquelas emoções intensas, físicas, energéticas, químicas, psíquicas e mais além.
Mas fico feliz pelo fato de ter sentido.
Significa que algo foi bem vivido.

Passaram cinco, dez, e quem sabe venham mais dez anos que sempre lembrarei...
Existiu! Foi real!
E EU sinto quando VOCÊ sente.
Enquanto todos dormem a agonia que te deixa na insônia.

Nada somos,
Nada fomos,
Nada seremos.(?)
Mas aquilo SIM foi.
É.
E sempre será.

Sempre
Será 
Sempre
Pensará 
No que poderia ter sido.
E eu 
Sempre
serei sua.
Sempre
Pensarei
No que poderá vir a ser.

Com amor,
Saudade,
E, talvez, um pouco de rancor,

...Sua alma gêmea...


quinta-feira, 14 de setembro de 2023

Para onde EU quero ir


Sinto falta de coisas que não vivi.
Mas estou certa que viverei.

Uma saudade do que poderia ter sido.
Se talvez me fosse permitido,
Certamente agora este momento
Por meu amor, permitirei.

Nostalgia de caminhos distintos
Possibilidades que talvez não percebi
Estas possibilidades nem sei se existem
Porém estes caminhos é Para Onde Quero Ir.

Viagens que só eu fiz
Lugares inóspitos que visitei
Até da lua já me arremessei
Pode não ter sido nesta vida
Mas numa ou noutra o farei

Sinto falta do seu abraço e do seu cheiro
Do seu afago e como me devora por inteiro
Seria incrível se não passasse de um devaneio
Porque eu nem mesmo te conheço

Sei que seu olhar me fará estremecer
Sei que já me conhece e muito bem
Só não sei se está por perto
Ou se vou te encontrar somente no além 

Não sei seus gostos musicais
Se é praia ou montanha, também não sei
Isso lá são coisas triviais?
Mesmo sem saber se existe, já te amei.

Viagens que ainda quero fazer
Lugares inexistentes, quero visitar
Até em Marte sei que já pisei
Só mesma saber onde te encontrar.

 

domingo, 30 de julho de 2023

Reconstruir

 


Sim, eu te amei.

Hoje percebo que te amei tanto que esqueci de mim.

Ou amei a projeção que fiz de você.

Não importa.

Eu te amei.

Te amei tanto que te entreguei tudo.

Minha vida, meus sonhos, minha família.

Eu te amei, talvez mais do que deveria.

E nao percebi que um dia acabaria.

Eu te amei.

Formamos uma familia.

Eu amei com toda minha alma o que a gente tinha.

Sim eu amei.

Amava cada vez que víamos o mesmo filme juntos.

Amei cada viagem, cada música na playlist tocada.

Amei ver nossos filhos em seus braços.

Mas amei tanto que me perdi.

Deveria ter parado ali.

Na volta daquela viagem

Onde teriam muito mais coisas boas a recordar que ruins.

Fui tão ferida porque te amei demais.

Amei ver sua banda ruim

Amava odiar suas músicas ruins

Eu amei.

Mas devia ter acabado ali.

Porque não doeria como dói hoje.

Porque sinto que amei alguem que nunca existiu.

E esse amor intenso foi tão cego que ao mesmo tempo me destruiu.

Sim, eu amei.

Cada dueto horrível era especial.

Por mais que talvez não fosse real.

Amei cuidar de você.

Amava te vestir.

Amava quando você estava ali.

Mas aquele "ali" foi há muito tempo.

E devia ter acabado naquele volta da praia.

Devia ter acabado quando você ficava horas dentro do carro porque não queria voltar pra casa.

Devia ter acabado ali.

Nos forçamos e nos ferimos a cada dia que se passou depois.


Eu te amei.

E amo com toda a minha alma os frutos que semeamos.

Mesmo que hoje eu não saiba quem é você.

Eu amei.

Como creio que nunca mais amarei.

Porque pra te amar eu me abdiquei.

Me neguei e me anulei.

Eu te amei, e devia ter acabado ali.

Na volta da festa junina.

No ano novo na casa da minha tia.

Teríamos coisas boas para recordar.

E não só tristezas a chorar.

Sim, eu te amei.

Ou amei o que inventei.

De toda alma eu tentei.

Todas as chances eu te dei.

De corpo, alma e do que mais existe, me entreguei.

Mas eu também errei.

Queria resgatar o que foi levado

Me vingar do que me foi triturado.

Colar o que tinha sido quebrado.

Suplicar para regressar o que foi abandonado.

Sim

Eu 

Te

Amei.

E deveria ter acabado ali.

Onde ainda havia espaço para sorrir.

Só permita que eu tente me reconstruir.