Em meus diversos devaneios me pego pensando sempre numa mesma analogia.
A série Lúcifer da Netflix e Fox (o anjo caído e detentor das chaves do submundo) retrata o inferno de uma forma muito interessante. Onde fica-se preso no momento mais doloroso, profundo e revivendo-o por toda a eternidade.
Quando a assisti, realmente concordei que reviver certos infernos, ou o maior desafeto na terra, repetidas vezes, pela eternidade, sim. Creio que este seja o inferno.
E porquê me pego sempre pensando nisso?
Por que vivo num looping diário, revivendo o já vivido e teoricamente “superado”.
De forma cíclica, me vejo sempre com os mesmo desafetos e sentimentos, na mesma situação, quase que com a periodicidade de um ano bissexto.
Então me vem outro pensamento de forma simultânea.
Pensamentos distintos passando como uma minissérie mental de dois ou mais contos.
Qual o comportamento e ação (ou falta dela) que continuamente insisto fazendo sempre com que retroceda e reviva os mesmos infernos terrenos?
O que posso, se é que posso, mudar?
Qual foi meu acordo lá em cima do que teria que viver aqui?
O que fui numa vida passada para esse looping nunca ir por completo?
O que de fato ainda devo aprender com isso?
E também, do que devo desgarrar e finalmente voar?
Mente barulhenta, o silêncio se instala, muitas reflexões e nenhuma conclusão.
Seria a falta de conclusão outro looping?
Missão criada.
Metas a curto, médio e longo prazo.
Check.
Anotadas na agenda, passo a passo seguido à risca como uma receita da Palmirinha. E aí? O que mudou?
Perdoar, relevar, fingir demência.
E aí o que mudou?
Questionar, ir atrás, dialogar.
E aí o que mudou?
Se importar demais com os humanos, Caio sempre neste pensamento. Será aí a minha falha?
O que fazer para o desprendimento desta raça (que a cada momento minha consciência grita que deu bem errado, mas mesmo assim creio na possibilidade da evolução humana...“ainda...”) sem me tornar uma pessoa, que nem sei se consigo, egoísta?
Outro looping...
Tomo nota, escrevo e mentalizo.
Porém não consigo por ora, concluir.
Todos que por minha vida passou e os que permanecem usam uma mesma frase “Você não vai mudar o mundo, e nem obter a compreensão e empatia que sente para com os demais quando necessitar ”.
Outro looping, em diferentes situações...
Atemporal.
Como me importar menos?
Como lidar com a injustiça e se abster?
Eis meu karma talvez?
Ou talvez esteja apenas numa série de TV fechada fazendo uma mera figuração como parte de uma teoria de submundo infernal?
Qual o sentido quando absolutamente nada faz sentido.
Nem mesmo esta crônica.
Se é que é real.
Se é que escrevo...
Eis outro looping.
sexta-feira, 6 de março de 2020
quinta-feira, 5 de março de 2020
(não) ME ESQUEÇA
Tentei...
De todas as formas procurar te entender.
Tentei.
Ser o melhor do que um dia fui capaz de ser.
Ignorei.
Os motivos que me fez querer partir.
E Usei.
Estes mesmos motivos crendo que me libertei.
Busquei.
E encontrei novas razões para te querer.
Inquietei.
Porque já não sabia por onde agir.
E neste espaço permiti você partir.
Até que já não havia o que fazer e nem dizer.
Pois no teu ensurdecedor silêncio,
na loucura me faz permanecer.
Assim como a lua desfoca na neblina,
O zumbido da chuva enfatiza minha sina.
Sabotar o que poderia perdurar.
E com o arrependimento me deparo ao despertar.
Mostrei meu melhor e meu pior para você.
Dentre os piores estava o querer fazer-te me esquecer.
Afinal, hoje já não há mais o que mostrar,
Distanciando ainda mais a possibilidade de amar.
Aí é onde perco e te perco mais e mais.
Perco a noção, e emoção e a crença de ser capaz.
Na fissura de reverter o irreversível,
Obtive sucesso ao tornar-me invisível.
Olhando a pouco pela janela do trem.
É tangível a indiferença e também o teu desdém.
Frisado em minha mente algo que eu mesma desejei.
Reverter, não está dentre as coisas que almejei.
É fado a ser carregado, fato consumado e eu sei.
Que pode perdurar, atormentar as vezes, ou nem.
Mesmo meu peito, agora, inflamado em dor.
Na vida rechaço o prazer do amor.
Ainda mais agora que não o tenho mais por perto,
Sinto que talvez nunca tenha o tido, de certo.
Porque se fosse de verdade bastaria,
A minha procura e ao te ver, minha alegria.
Lutei com as armas que acreditei um dia possuir.
E em sua memória estou prestes a sumir.
Assim termino este verso, este refrão.
Com o meu arquitetado, arrependido e doloroso NÃO.
domingo, 1 de março de 2020
Falta vontade
Sentarão ao seu lado, pagarão até uma cerveja, conversarão como se viesse de longa data.
Você confiará e se fará confiável também.
Em raríssimos momentos algo parecido acontece. Neste momento você volta a acreditar ser possível crer de novo, gostar mesmo e quem sabe até se apaixonar.
Entre este meio, roubarão seu tempo, abusarão da sua empatia, saberão dos teus segredos e até os utilizarão “sutilmente” contra você.
Vão dizer que você é diferente, autêntica (o), que é uma sorte conhecer alguém assim, mas que podia ser menos espalhafatos(o) guardar um pouco seus gostos e desafetos com o mundo. E vão mentir, omitir, e sabem fazê-lo bem (ou nos deixamos enganar, o que também é uma verdade).
E quando não for mais novidade nem tampouco conveniência, você será como os (as) demais... Apenas uma conquista barata. Com a durabilidade menor que uma chuva de verão, assim como muitos dos que vieram e tão breve também se foram.
Até mesmo, para os mais sonhadores um dia é perceptível, mesmo que já tenhamos sido alertados anteriormente, insiste mais um pouco, aquilo existiu... Foi sentido... Poxa, foi real.
Não foi?
Não?
Foi...!
Não foi...
Mas o que falta, além da sinceridade consigo e coragem, “falta a vontade de querer fazer dar certo.”
E, claro, sentimento.
Se é que este tipo de reciprocidade existe.
O problema de receber pouco amor é justamente não fazer idéia de como é.
Então é fácil se deixar enganar, ver coisas onde não existem.
Mas, no fundo, mentimos para nós mesmos o tempo todo.
...
E, talvez, seja menos (ou mais?) difícil assim.
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