terça-feira, 4 de fevereiro de 2025

Perdida eu me encontro


 Eu sei que sumi.

Desapareci.

Mas eu também me perdi de mim.

Era impossível me encontrar, saber o que gosto de ouvir, falar...

Me perdi de mim

Tentando encontrar algum gosto, gesto, esboço.

Está difícil me enxergar

Saber se aceito, se nego ou me desfaço

Como um três de espadas perdido em meio ao baralho

Não tem sido possível me auto encarar

Estes dias, meses e anos nem me dei conta se o vi passar

Perdida em momentos, em projeções sem nada a esperar.

Rezando para que sorte, por pelo menos uma vez, venha me encontrar.

Um barco sem velas, sem remo

Em mar aberto apenas no devaneio

Deixando o presente e o destino por escolha do vento.

Perdida me encontro

Todos os (des)encontros que perdida permanecia.

Afagos afetos sonhos poesia 

Perdido está dentro de mim

Desaparecido está o que me faz sorrir.

E sim, eu sumi.

Desapareci até do reflexo do espelho

O que me excitava hoje causa desespero

Não sei quem era, o que sou nem se serei novamente

Aquela alma leve, dançante e sorridente

Não sei onde me encontrar

Não imagino onde eu possa estar

Perdida eu me encontro

Querendo por alguns momentos ser outro

Ser um pássaro ou talvez apenas uma brisa vespertina

Sei que posso talvez estar presa em algum tipo de rotina

O que me consola é o silêncio da minha presença.

E o fato de que para poucos eu ainda esteja

Aqui, ali e acolá

Onde mesmo eu deveria estar?

Certamente em algum tipo de recordação irrelevante

Nada que tenha sido indispensável nem ao menos um instante.

Eu sumi.

Desapareci

De todos

Da vida

E de mim.