Preciso lembrar e relembrar desta noite. Madrugada, manhã, já nem sei...
Onde me encontro com o amor em meus braços amamentado.
Estômago e coração sangrando.
Literalmente e figurativamente.
Algo em comum sobressai destes opostos.
O gosto amargo e indigesto
Da dor que criou um abcesso.
Sendo assim, literalmente não tenho mais estômago para insistir no incerto.
Sabendo como sou, é inconcebível ser metade.
Entregar apenas uma parte.
Está virando um poema essa tristeza que me invade.
Ou é tudo ou é nada.
Sim eu sei, minha maneira é equivocada.
Dito isso, vejo o vil sentimento que me abala.
Me olho, não me vejo mas me percebo
A sempre tola que nunca será esperta.
Errada sim, mas também um pouco certa.
Nesse tudo que sinto, de nada valeu, não vale e não valerá nunca
A pressão está alta e agora dói a nuca.
Já não sou menina faz um bom tempo.
Dores emocionais e físicas se misturam de todo jeito.
Recordarei desta noite como a do poema 23.
Antes eram dois, mas Deus quis que fossem três.
Hoje fiz piadas desastrosas e sem graça.
Para rir deste inferno que já me sinto até em casa.
Inferno este que eu mesma criei, me enfiei e me entreguei.
Mas neste tudo, ao me entregar, foi aí que eu pequei.
Já calejada, quis tentar uma última vez.
Acreditei que poderia ser SIM mas sempre foi um TALVEZ.
Não me caibo, não queria, não deu certo
e eu já sabia.
Resta-me apenas tentar juntar os meus pedaços me retirar.
O que sobra após sobrar?
