Foi necessário uma doença.
Não uma doença comum.
Uma doença severa a nível mundial, que nos obriga a não sair.
Que não há remédio.
Nem tampouco vacina.
Nos impedem de manifestar nosso afeto e carinho, atos muitas vezes banalizados.
Nos impedem de sentar em uma praça e apenas contemplar o sol ou o luar.
Ela impede o toque, o colo.
Um inimigo invisível, ao qual estamos numa guerra sem nem ter armas contra ela.
Foi necessário parar.
O mundo paralisado, pessoas enlouquecidas com a economia, as grandes potências mundiais de mãos atadas, porque até mesmo dar as mãos já não é mais possível.
Foi necessário não por o pé fora de casa, não poder ir à padaria, as escolas e nem sequer, abrir a própria porta.
Foi necessário principalmente para nos lembrar de nossa vulnerabilidade.
Uma doença que não escolhe a conta bancária, o País, o tom da pele nem os diplomas.
Foi necessário olhar ao redor e encontrar na desumanidade que somos humanos.
Necessário resguardar o que realmente é necessário, uns aos outros.
Foi necessário uma doença para que apenas vivamos o presente, e tentando proteger a quem amamos.
Foi necessário enclausurar-se, manter distância para provar o amor.
Valorizar os momentos com nossos pais e filhos.
Agradecer pela saúde e o pão do dia. E clamar, clamar para o que realmente importa, a saúde.
Conectar-se com o planeta e o universo e perceber o quanto fomos e somos nocivos à eles.
Foi e é necessário, valorizar os abraços, e querer abraçar a quem teve oportunidade e não o fez.
Foi necessário o mundo dar as mãos, no sentido figurado, para combater o desconhecido e invisível.
Foi necessário, da pior forma.
E estamos num momento onde o perigo está apenas no ar.
E da pior forma foi necessário para o nosso planeta, nossa terra, ar, água e animais, por fim, respirar.
Que nunca seja esquecido este momento, que a lição seja aprendida. Que nada somos, sem união, amor e humanidade.
Que tenhamos sorte de poder nos abraçar algum dia.
Dar beijos longos e demorados.
Respeitar todas as vidas, e agradecer todos os dias por elas.
Nos perdoe universo.
Nos perdoe altíssimo.
Por não ter aprendido pelo amor.
Foi necessário “virar gente” apenas pela dor.

