quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Foi embora

Nunca quis demonstrar ser uma pessoa romântica, embora sentisse tudo tão intensamente de forma quase que tangível tudo o que o romantismo engloba.
Acreditava e ainda acredito ser piegas e sinal de fragilidade... Talvez tenha razão nisso.
Mas, o Amor me escolheu.
Dentre tantas pessoas no imenso planeta azul ele mira e me acerta.
O problema do amor escolher uma pessoa intensa é que, por vezes, ele nos cega, nos deixa insanos e inevitavelmente atrapalha... E muito!
Faz com que perdemos a noção, até onde podemos ir e até a razão.
Nos prega peças que, de longe, não são nada engraçadas.
A entrega é involuntária, de corpo, alma e do que mais formos feitos. Pura burrice.


Burrice porque as pessoas se sabotam e não há espaço, em suas agendas, para qualquer tipo de envolvimento sentimental.

Quem o sente, já não sabe lidar, quem o recebe "tampoco".
Simplesmente não sabem.
Não querem saber.
Rejeitam.

A única vida que temos, condicionada ao que os demais podem pensar, ou o que é mais seguro. E mesmo que doa rejeitar, o mais fácil é seguir o protocolo.
Mesmo com uma de nossas vozes internas berrando, treinamos nosso cérebro a crer que mudar, arriscar é assustador e assim se segue...
Uma única vida e dentro de nós múltiplas facetas.
E um sentimento tremendo.

A cada parte minha, costumo dar um nome, as nossas facetas que nos compõe e nos tornam o que somos e únicos.

Existe uma delas em mim que sente tudo de forma descontrolada.

Mas, infelizmente para os demais isso é algo banal.
Como a pimenta que esquecemos de comprar para preparar aquela receita, mas não voltamos para buscar, afinal, temos o alho, a cebola e no lugar da pimenta usamos o gengibre da fruteira. Mesmo sabendo que com aquela "dedo-de-moça" a receita ficaria perfeita.
Improvisamos para seguir.
Não batemos o tomate para obter o sumo, compramos a polpa pronta.

Existem pessoas que não querem saber quantas vezes a vida chama para viver... Está sobrevivendo e tudo bem... Tudo bem?

Nossa única vida e dentro de nós tantos "eus" almejando, suplicando para viver sendo improvisada com polpa pronta?

Nesta única vida existe uma parte nossa que vive numa eterna nostalgia, um efeito borboleta infinito, onde tudo isso se fez vivido e queremos manter estas recordações. Não conseguimos ou não aceitamos que já passou.

É mais seguro sempre recorrer a lembranças do que vivê-las.

Modismo? Comodismo? Tanto faz...
Nada fez.


E a faceta que foi audaciosa e quis viver um dia, nada mais é que uma recordação.

Conforme o tempo passa, algumas destas facetas se modificam, se vão, para dar espaço a outras. Mas existe aquela, que mesmo que possa ser nociva, não queremos que se vá. Porque ela foi a audaciosa. Intensa. Viva.

E hoje... Hoje tive que calar, buscar uma maneira de transforma-la. Mesmo que no momento em que percebi isso o que eu mais queria era sufoca-la, esgana-la junto com tudo o que ela representa,até que não existisse mais nada.

De pensar que esta parte minha que, por ora, visitava para sorrir hoje em lágrimas pedi para que se fosse.

Esta parte, que mais conhece a minha intensidade, a ira, o amor e a paixão, não posso mais permitir que fique.

A vida é feita de pequenas grandes histórias, dentro destas histórias, momentos e dentro destes breves momentos sempre uma grande lição, claro que dentre tudo o que permeia esta vivência estão os erros e são deles de onde tiramos as mais preciosas lições.

Mas essa amiga que habita em mim cometeu um erro terrível, se alimentou por um longo período de algumas recordações.

No fundo, ela me fez bem por um tempo, pequei em não perceber a hora de virar a chave. Porque é preciso seguir o protocolo.

Agora, de forma abrupta, ela deve partir, para dar espaço a outra faceta, talvez com outro nome e personalidade, sendo assim, outra história.
Talvez uma história sem tanta intensidade mas, com certeza, mais sincera.

Com este imenso sentimento, dentre todas as mulheres que habitam em mim, sem dúvida, essa era era a mais divertida, porém perigosa demais para mim.

Se sentirei falta dela?
Claro!!!

Ela fez parte de quem sou.
Mas chega de a manter sozinha aqui.
Com muita dor e vontade de esmagar ao mesmo tempo, ela tem que partir.

E levar consigo as memórias, as vivências, a audácia, o amor e sua intensidade.

Sem riscos, sem possíveis prejuízos, certo?
Pois bem, Vida, viver para que?
Basta sobreviver.

Por isso digo a esta parte minha: - Eu te amo e te liberto.

Por fim, parafraseando a música do Capital Inicial, digo:"- Agora, pra sempre. Foi embora, mas eu nunca disse ADEUS".

E assim, seguimos o protocolo.