Não existe metade de um beijo
Nem meio abraço
Nem metade feita nem meio desfeita.
Não existe meia vontade
Nem metade de saudade
Meia bobagem, cara metade
Não, não existe.
Não existe metade falada
Nem meias verdades
Nada de de meio alegre
Nem de metade da verdade.
Não tem como metade estar triste
E a outra metade, onde está?
Não tem meia ação
Assim como metade não há como amar.
Não somos metades
Somos inteiros
Assim como uma árvore que quando se parte, Tronco ela será
Inteiro tronco, não meia árvore.
Metade frio, metade calor
Metade riso, metade é a dor
Metade pai, metade avô
E no meio de tantos meios
Escolhi ser inteiro
Porque de metades estou cheio
E de inteiros só eu mesmo.
Metade, não
Não existe.
E se é de metades que vive
Vives pela metade
E metade vivo, a outra metade onde está?
Meio morto?
Não, não existe metade.
Ou se é inteiro vivo
Ou se é inteiro morto.
Se é metade que me oferece
De nada me vale
Prefiro ser inteira dor
Do que receber meio amor.
Metade, não
Não existe.
Não aceito
E com meu eu inteiro
Te rejeito.

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