quinta-feira, 5 de março de 2020

(não) ME ESQUEÇA

Tentei...


De todas as formas procurar te entender.
Tentei.
Ser o melhor do que um dia fui capaz de ser.
Ignorei.
Os motivos que me fez querer partir.
E Usei.
Estes mesmos motivos crendo que me libertei.


Busquei.
E encontrei novas razões para te querer.

Inquietei.
Porque já não sabia por onde agir.
E neste espaço permiti você partir.

Até que já não havia o que fazer e nem dizer.
Pois no teu ensurdecedor silêncio, 
na loucura me faz permanecer.

Assim como a lua desfoca na neblina,
O zumbido da chuva enfatiza minha sina.
Sabotar o que poderia perdurar.
E com o arrependimento me deparo ao despertar.

Mostrei meu melhor e meu pior para você.
Dentre os piores estava o querer fazer-te me esquecer.
Afinal, hoje já não há mais o que mostrar,
Distanciando ainda mais a possibilidade de amar.


Aí é onde perco e te perco mais e mais.
Perco a noção, e emoção e a crença de ser capaz.

Na fissura de reverter o irreversível,
Obtive sucesso ao tornar-me invisível.

Olhando a pouco pela janela do trem.
É tangível a indiferença e também o teu desdém.
Frisado em minha mente algo que eu mesma desejei.
Reverter, não está dentre as coisas que almejei.


É fado a ser carregado, fato consumado e eu sei.
Que pode perdurar, atormentar as vezes, ou nem.


Mesmo meu peito, agora, inflamado em dor.
Na vida rechaço o prazer do amor.

Ainda mais agora que não o tenho mais por perto,
Sinto que talvez nunca tenha o tido, de certo.

Porque se fosse de verdade bastaria,
A minha procura e ao te ver, minha alegria.

Lutei com as armas que acreditei um dia possuir.
E em sua memória estou prestes a sumir.
Assim termino este verso, este refrão.
Com o meu arquitetado, arrependido e doloroso NÃO.

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