segunda-feira, 27 de abril de 2026

Respostas


 O modo como as pessoas se relacionam é curioso.

Sendo uma espectadora nata e também participante desse reality da vida, vejo o quão sempre é arriscado ser quem se é.

Se permitir sentir é fraqueza.

Demonstrar afeto é emocionado demais.

Terminar algo que nunca começou para evitar sofrimento?

Usar de táticas e joguinhos para "despertar mais interesse" são os hobbies preferidos de quase todos.

Para que serve esse teatro?

Isso não faz sentido.

Isso é um grande problema quando para você tudo, absolutamente tudo deve fazer sentido.

Aquela amizade repentina dentro de uma balada, que parecia como amigos de infância.

E, de fato, foram. Mas apenas naquela noite.

Aquele abraço deliciosamente demorado, acabou e não terá outro.

Aquele beijo que encaixa de primeira, que dá frio na barriga, nunca saberemos quando será o último.

Relações líquidas, Ego rochoso.

Buscar entender te faz parecer bobo.

Você não entende como "a banda toca".

É como se você estivesse em um baile onde todos estão dançando valsa e você tentando acompanhar com o samba no pé.

Todos com sua compostura, eretos, sincronizados, absurdamente sincronizados numa valsa ao qual você se atrapalha até em qual é seu pé direito e o esquerdo.

O sorriso arquitetado para não ser/parecer alegre demais, porém para demonstrar a pífia felicidade brevemente momentânea.

Gosto de pleonasmo nestas comparações.

É tudo tão igualmente igual, os padrões estão presentes em todos os lugares.

E você é uma andorinha tentando seguir as gaivotas. 

Não há como.

Não existe explicação.

As coisas são como são, sempre ouvi.

E em grande parte das situações nesta vida, de forma silenciosamente estrondosa, o silêncio é a própria resposta.


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