segunda-feira, 24 de junho de 2019

Quando tudo muito sente e quase nada faz

Em algum destes encontros que a vida em sua harmonia (com um leve empurrãozinho) programa, encontrei uma pessoa com uma grande relevância para mim. (Se há reciprocidade, não vem ao caso agora).
 Entre palavras, gestos, confidências, algumas condizentes entre si, outras nem tanto, uma frase se sobressaiu, o que de fato, fez cair a tal máscara social que estava lutando para manter: "- Você já parou para pensar que pode estar lidando com alguém exatamente como você?".
Perdi a fala, já não senti necessidade de dizer mais nada, apenas vontade de chorar de imaginar que outro alguém poderia sentir ou ser esse poço de culpas, remorsos, vazios, dor, confusão e muitos outros sentimentos destrutivos que muitas vezes não me pertencem.
Logo em seguida outro turbilhão de pensamentos, dentre eles um veio de primeiro " será que eu conseguiria lidar com alguém como eu? Que vai para o universo, conversa com as estrelas e volta em fração de segundos com as respostas e do nada sente-se a pessoa mais incompetente do mundo?"
Alguém que olha para o céu, todos os dias, e pergunta a Deus o que está fazendo aqui, porque não se sente pertencente?


É como se ninguém entendesse a importância de tentar entender mais o outro, se doar, mesmo que pouco a quem te procura.
De sofrer e sorrir com a mesma intensidade, de amar e odiar e voltar a amar?
A raiva vem, é explosiva e fere, eu sei. Mas ela se vai tão rápido quanto uma chuva de verão.
Se é que existe, será este meu Karma? Sentir demais e me afeiçoar a alguém como eu? Muitas vezes é difícil até para mim saber como sou, e qual o papel devo exercer... Por quê (saco!) Essa maldição não é só minha?
Não quero, nem nunca quis ser assim, quando percebo é como se sempre estivesse revivendo tudo, e tudo denovo, tento mudar o pensar, o agir, de cidade, de País... E nada, nada muda.
Será mesmo que essa pessoa me conhece tão bem assim? Ou apenas era uma frase solta de quem pouco me sabe?
Tenho pessoas ao meu lado por quinze, vinte anos que jamais ousou em dizer que nem sequer que "me entende".
O que mais desejo é não sentir tanto, peço veementemente em todas as orações que faço. E acordo e vivo o já vivido.
Já sei como termina todos os dias, bem como o começa, mas não tenho coragem de me atrever a ser tomadora de decisão. Não neste sentido. E isso aflora e me coloca em uma posição ainda mais vulnerável e manipulável. E eu não quero mais, mas sou fraca demais para sustentar um NÃO. 
Em busca da felicidade alheia eu sacrifico o que poderia ser a minha, porque para mim me parece errado que eu esteja feliz.
Esta situação não é agradável, mas é cômoda, estou acostumada, e quando estou prestes a mudar um ponto vem a autosabotagem, sou mestra nisso.
A qual espécie pertenço? A qual limbo me encontro? Como me desenrolar da teia que eu mesma teci?
Quando tomada pela ira, machuco, sem piedade, "Al tiro" e em segundos já percebo a bobagem, me debulho em lágrimas e assumo até o que não fiz para que o outro se sinta melhor.
A intensidade não é boa, não meu caro, não é.
E intensidade misturada com sensibilidade nos faz escravos de nossas escolhas e sem perspectivas de "desescolher" como se não houvesse livre arbítrio e somente uma tomada de decisão, ao qual já foi feita.
Entramos as vezes no mérito de buscar culpados, eu particularmente culpo o retorno de Saturno.
Hoje, mais do que nunca, queria ser aquela criança encrenqueira de 9 anos, que quando molestada, bastava um soco na cara e tudo estava resolvido.

Hoje, meu medo de ferir e muito maior do que ser ferida, já tenho tantas cicatrizes, que não me apavora mais.
Mas isso talvez não seja certo.
Na real, isso é bem injusto!
E só pelo fato de pensar nisso, me culpo.
Ao mesmo tempo o de posso não aceitar esse lento e doloroso flagelo, ao qual me submeti, o fato de pensar em não aceitar mais faz com que me sinta extremamente egoísta, e aí.... Aí aquela monstrinha da culpa dolorosa vem sem nenhum melindre.
Acredito que este colega se equivocou na comparação, ou não, quem sabe?
A única coisa que sei é que há uma inconsistência nesta comparação quase que afirmação.
Tenho muitos, inúmeros medos, mas o único que não tenho é assumir o que sinto, mesmo que não tenha coragem de viver estes sentimentos, não os nego.
E venha culpa... Você é quase que anfitriã aqui dentro, acomode-se, tome um vinho e devore minhas vontades, meus sonhos, antes mesmo que eu os tente. Isso é tão confortável para você, quanto para mim, brindemos... Como sempre... Sua vitória sobre minha estagnação.

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