terça-feira, 16 de julho de 2019

Mãos e dedos

 Um belo dia, a gente acorda cheio de amigos.
Todos a sua volta, a alegria domina o ambiente.
Você se sente querido, amado mesmo.
A acha que aquelas pessoas te amam de verdade e crê ser para sempre.
Você confia, acredita sinceramente nisso.
E tem a certeza que fez as escolhas certas...
O tempo vai passando, e vocês perdem aquela proximidade, já não possuem as mesmas idéias, já não dão tanta risada juntos quando se encontram.
Você percebe então que tudo se dá ao meio atual em que se encontram, não há mais nada a oferecer a não ser sua companhia.
Insiste em ter mais alguns diálogos,
até que o assunto vira discussão, pensamentos totalmente opostos. Aí você se pergunta: "-Cadê aquela pessoa que conheci?" E, no fundo, aquelas pessoas também se perguntam o que aconteceu com você.

E então mais tempo se passa, e já não é mais possível sentir falta.
E a saudade da espaço para a indiferença.
É aí então que a coisa toda faz sentido, qualquer tipo de relação vem da reciprocidade. 

Não se sustenta somente um lado da corda, não existe bem querer somente de uma parte.

E o tempo passa mais e mais depressa, e quando percebemos o círculo se fecha, sobrando apenas poucos dedos de uma única mão, aí a tal "frase feita" começa a fazer mais e mais sentido:" A vida vai mostrando quem sim, quem não e quem nunca".




Hoje existem poucos dedos, e a cada dia, a cada semana um se vai... Mas os que de fato permanecem são os "quem sim".
Quando a vida fica menos turbulenta, e finalmente é restabelecida sua própria leveza os " quem não " se aproximam, mas jamais voltarão para a mão denovo.

Mas a maior lição disso tudo e que JAMAIS devemos lamentar são os "quem nunca"... Aqueles que só demonstravam amor porque você tinha algo a oferecer. Muito fácil de reconhecer quem são, e mais fácil e saudável ainda é não permitir que retornem.

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