O que esperar da vida senão a morte?
O único caminho que somos predestinados.
De que vale, então, tantas posses e poses?
Tantos desafetos e desamores?
Tanto medo de encarar a vida de peito aberto, e até mesmo de demonstrar afeto?
De que vale acumular bens e se envaidecer de o outro não estar bem?
De notar somente o bruto.
Qual o problema de não ir à missa ou culto?
Se, no fim, seguimos a lenda que nada mais seremos além de um vulto?
De que vale vasculhar o outro até encontrar defeito?
Para quê isso se o mundo todo é imperfeito?
E com a ilusão de um "tudo novo" em um ano novo, se inicia mais um sonho.
Que jamais teremos coragem de concretizar, pois nos falta a coragem de ousar.
O mais do mesmo se instala e só muda o calendário.
E as redes sociais estão prontas a receber o seu repetido diário.
E seguimos como humanos desumanos.
Nada nos resta além de esperar pela morte, e ter a doce esperança que no próximo ano teremos mais "sorte".
Usando nossas cansadas máscaras da civilidade e sociedade.
Sociedade?
"Ora, já não temos mais idade."
E porque raios nos prendemos a isso?
Se o passar do tempo só nos aproxima do fim, ou sabe-se lá um novo "início"?
Oh.. Fim!
Fim de ano a princípio.
Fim da linha posteriormente.
E assim brincamos com nossa mente, esperando que, por um milagre, de repente
Vamos no fim ser diferentes...
Oh! ilusão ao qual sempre nos entregamos, mas ouça, são os fogos de fim de ano!
E aí o que será d`agente?
Senão cada vez mais perto de dormir, por fim, eternamente...?

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